Os gases fazem parte do funcionamento normal do corpo humano. Eles estão presentes no sistema digestivo de todos e, geralmente, são eliminados sem causar incômodos. Contudo, quando surgem sintomas como inchaço, distensão abdominal, flatulência frequente ou dor, isso pode impactar negativamente a vida cotidiana e a qualidade de vida das pessoas.
Uma fração dos gases é produzida quando as bactérias da microbiota intestinal fermentam carboidratos que não foram totalmente digeridos ou absorvidos no intestino delgado. Outra fonte de gases é o ar que engolimos automaticamente ao comer ou beber.
É fundamental distinguir entre a produção de gases e a sensação de inchaço. Uma pessoa que se sente extremamente inchada não necessariamente está gerando um excesso de gás. Em algumas circunstâncias, o intestino pode demonstrar uma sensibilidade aumentada ou dificuldade em mover seu conteúdo normalmente, fazendo com que quantidades normais de gás causem um desconforto considerável.
O Dr. Renato Riccio, gastroenterologista do dr.consulta, apresenta a seguir as principais causas da formação de gases, os sintomas mais frequentes e orientações sobre quando buscar avaliação médica.
Quais são as causas mais comuns dos gases?
A formação de gases está ligada à dieta, à microbiota intestinal, ao processo digestivo e até à quantidade de ar que ingerimos ao longo do dia. Alguns fatores associados aos sintomas incluem:
1. Carboidratos fermentáveis
<pCertos carboidratos presentes nos alimentos não são totalmente digeridos ou absorvidos no intestino delgado. Ao chegarem ao intestino grosso, eles são fermentados pela microbiota intestinal, resultando na produção de gases.
Isso pode ocorrer após o consumo de variedades específicas de frutas, vegetais, leguminosas e grãos. Por exemplo, feijão, lentilha, brócolis, couve-flor, alho e cebola podem exacerbar os sintomas em indivíduos mais sensíveis. No entanto, isso não significa que esses alimentos sejam prejudiciais ou devam ser eliminados da dieta sem critério; a tolerância varia amplamente entre as pessoas.
2. Aumento abrupto na ingestão de fibras
As fibras são essenciais para manter a saúde intestinal e devem ser parte integrante de uma alimentação balanceada. Contudo, um aumento repentino na sua ingestão pode temporariamente aumentar a fermentação e a produção de gases. Portanto, é recomendável fazer esse aumento gradualmente para permitir que o intestino se ajuste.
3. Certos adoçantes e produtos sem açúcar
Adoçantes específicos, especialmente os polióis, podem ser mal absorvidos pelo intestino e levar a um aumento da fermentação. Exemplos incluem sorbitol, manitol, xilitol e maltitol encontrados em chicletes, balas e outros produtos diet ou sem açúcar.
4. Intolerância à lactose
A intolerância à lactose ocorre quando há dificuldade em digerir o açúcar presente no leite e seus derivados. A lactose mal digerida chega ao intestino grosso onde é fermentada pelas bactérias intestinais, podendo causar aumento na produção de gases, distensão abdominal, cólicas e diarreia. A gravidade dos sintomas varia conforme o nível de intolerância e a quantidade de lactose consumida.
5. Refeições ricas em gorduras
A gordura por si só não aumenta diretamente a produção de gases; no entanto, refeições excessivamente gordurosas podem retardar o esvaziamento do estômago e acentuar a sensação de plenitude e inchaço em algumas pessoas. Assim sendo, a relação entre alimentos gordurosos e desconforto abdominal é mais complexa do que apenas “aumento da produção gasosa”.
6. Síndrome do intestino irritável
A sindromedo intestino irritável pode provocar dores abdominais, alterações nos hábitos intestinais como estufamento e distensão abdominal. Nesses pacientes os sintomas não são apenas resultado da quantidade de gás; também podem existir alterações na motilidade intestinal e uma maior sensibilidade do intestino a estímulos que seriam pouco percebidos por outras pessoas.
Certain carbohydrates that are highly fermentable—such as oligossaccharides and polyols known by the acronym FODMAPs—may also exacerbate symptoms in certain patients.
No entanto, dietas restritivas devem ser implementadas com cautela; quando necessárias devem ser personalizadas e seguidas por uma fase de reintrodução alimentar.
7. Doença celíaca and other wheat-related reactions
A doença celíaca pode resultar em distensão abdominal, formação gasosa excessiva e diarreia entre outros problemas gastrointestinais. Algumas pessoas relatam reações ao consumir trigo mesmo sem ter essa condição diagnosticada. Nestes casos , é crucial realizar uma investigação cuidadosa pois nem sempre o glúten é responsável pelos sintomas; carboidratos presentes no trigo como frutanos também podem estar envolvidos.
É essencial evitar eliminar o glúten da alimentação por conta própria antes da realização dos exames necessários para diagnosticar a doença celíaca pois essa exclusão pode interferir nas análises necessárias para confirmar a condição.
8. Constipação intestinal
A prisão de ventre é uma das causas mais comuns para a sensação de inchaço abdominal. Um trânsito intestinal lento combinado com acúmulo fecal pode dificultar tanto a movimentação quanto a eliminação dos gases gerando distensão abdominal significativa. Portanto , em casos recorrentes é importante avaliar também frequência das evacuações , consistência das fezes bem como eventuais dificuldades para evacuar.
Quais são os sinais comuns do excesso gasoso?
Quando há retenção gasosa surgem sintomas reconhecíveis cujo desconforto varia conforme cada indivíduo tanto em intensidade quanto em frequência . Entre os principais sinais estão: dor abdominal tipo cólica , sensação de inchaço ou barriga dura , flatulência frequente , sons intestinais audíveis , além de arrotos constantes após as refeições .
É comum que esse mal-estar venha acompanhado por alterações no ritmo intestinal, alternando episódios entre diarreia e prisão de ventre em alguns casos . Finalmente , se houver dor intensa ou associada com outros sintomas , é prudente buscar orientação médica imediatamente.
Como prevenir o desconforto causado pelos gases?
Pessoas que frequentemente sofrem com o incômodo causado pelos gases podem adotar medidas simples para reduzir episódios recorrentes . Não é necessário realizar mudanças drásticas na rotina ; pequenas adaptações podem gerar grandes resultados :
- Aumentar gradativamente o consumo diário de fibras para facilitar adaptação intestinal;
- Mantener-se bem hidratado durante todo o dia;
- Reduzir frituras , alimentos processados e bebidas alcoólicas;
- Evitar interagir excessivamente durante as refeições;
- Atentar-se para possíveis intolerâncias como à lactose ou glúten .
Quando procurar assistência médica?
No geral , gases e inchaço costumam ser benignos . Entretanto , recomenda-se buscar avaliação médica quando os sintomas persistirem por longos períodos , mudarem drasticamente ou ocorrerem juntamente com outros sinais preocupantes .
Situações que requerem atenção incluem:
- Dor abdominal intensa ou duradoura;
- Dor recorrente localizada sempre na mesma região;
- Sangue nas fezes;
- Fezes escuras;
- Perca involuntária de peso;
- Febre inexplicável;
- Náuseas persistentes;
- Anemia sem causa aparente;
- Mudanças recentes duradouras nos hábitos intestinais;
- Diarreia ou constipação persistentes;
- Aumento progressivo da distensão abdominal;
- Sintomas que afetam significativamente o bem-estar diário.
Dores intensas acompanhadas por distensão significativa , vômitos constantes ou dificuldade para eliminar fezes ou gás exigem avaliação imediata pois podem indicar obstrução intestinal . É igualmente importante considerar histórico familiar significativo relacionado ao câncer colorretal , doenças inflamatórias intestinais ou doença celíaca .
Gases são normais mas os sinais precisam ser analisados individualmente
A presença gasosa é natural mas deve-se atentar à frequência e intensidade dos sintomas apresentados . “A produção gasosa faz parte do funcionamento habitual do organismo humano ; muitas vezes pequenas ajustes na forma como se alimenta , funciona intestinalmente além dos hábitos cotidianos conseguem minimizar os sinais”, observa Dr.Renato Riccio acrescentando: “Quando há recorrência significativa desses sinais como inchaço , dores abdominais torna-se vital investigar suas causas ao invés apenas excluir alimentos da dieta.”
Por Hiorran Santos
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