Com o início das férias escolares, as crianças ganham mais tempo livre, o que pode resultar em um aumento no uso de celulares, tablets e computadores, além da interação nas redes sociais. Embora a tecnologia seja uma parte integrante da infância moderna, trazendo possibilidades de aprendizado e diversão, seu uso excessivo pode comprometer momentos cruciais para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo dos pequenos. Essa análise é feita pela professora Eliana Farias, do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas.
A educadora aponta que a pausa na rotina escolar durante as férias tende a intensificar o contato com dispositivos eletrônicos. No entanto, o grande alerta não está apenas na quantidade de horas passadas em frente às telas, mas sim na falta de equilíbrio entre as experiências digitais e outras atividades essenciais para a infância.
Quando a maior parte do tempo livre é ocupada por aparelhos eletrônicos, as crianças perdem chances valiosas de brincar, interagir pessoalmente, explorar novos lugares, praticar esportes e desenvolver competências como criatividade, autonomia e habilidades comunicativas. Além disso, o uso excessivo de telas pode dificultar a vivência de emoções como tédio ou frustração—sensações que são importantes para o amadurecimento emocional.
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“Quando as telas se tornam a principal fonte de entretenimento, a criança pode apresentar mais dificuldade para lidar com situações de espera e frustração, experiências importantes para o desenvolvimento da autorregulação emocional,” explica a docente.
Entre os sinais que indicam que o uso excessivo de dispositivos pode estar prejudicando as crianças estão: irritação intensa ao ter o acesso às telas interrompido; desinteresse por outras atividades; alterações no sono; dificuldades em manter a concentração; isolamento social; ansiedade e oscilações frequentes de humor.
A professora enfatiza também que é fundamental observar quando as crianças começam a usar esses dispositivos como sua única forma de lidar com emoções desafiadoras como tristeza ou medo. Nesses casos, a tecnologia não é mais apenas uma ferramenta de lazer; ela se torna um recurso constante para regular suas emoções.
Uso equilibrado requer supervisão e atenção
A especialista afirma que é essencial discutir o uso das telas levando em consideração não apenas quanto tempo elas são utilizadas, mas também qual tipo de conteúdo está sendo acessado. É vital que os responsáveis estejam atentos ao impacto da tecnologia na vida cotidiana da criança.
Para crianças com menos de dois anos, recomenda-se evitar totalmente o contato com telas, exceto em videochamadas com familiares. Para aquelas entre dois e cinco anos, o ideal é limitar o uso das tecnologias sob supervisão adulta e priorizar conteúdos adequados à faixa etária. A partir dos seis anos não há uma regra rígida sobre horas específicas de tela; contudo, esse uso não deve interferir em atividades fundamentais como sono adequado, alimentação saudável, estudos regulares e interações familiares.
Férias: uma chance para fomentar criatividade e convívio
O período sem aulas representa uma excelente ocasião para enriquecer experiências que favorecem o desenvolvimento infantil. Atividades como brincadeiras livres, leitura diversificada, jogos de tabuleiro e esportes ao ar livre promovem habilidades como empatia e cooperação. Além disso, cozinhar ou passar tempo com amigos e familiares também são práticas benéficas.
Permitir que as crianças enfrentem momentos de tédio sem recorrer imediatamente às telas pode estimular sua criatividade e habilidade para inventar novas formas de brincar. “O uso das tecnologias faz parte da infância atual e pode trazer benefícios quando utilizado com intenção e acompanhamento. O desafio está em garantir que as telas não substituam experiências essenciais como brincar livremente e construir relacionamentos significativos”, conclui a professora.
O post Férias escolares aumentam uso de telas por crianças e exigem equilíbrio na rotina familiar alertou especialista apareceu primeiro em O Diário de Mogi.






