A Fundação Japão, localizada em São Paulo, apresentou os resultados da “Pesquisa de Dados sobre o Ensino de Língua Japonesa no Brasil na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior 2026”, após um intervalo de nove anos sem novas edições. Este estudo atualiza as informações previamente divulgadas em 2017 e destaca mudanças significativas no perfil e na presença do idioma japonês no sistema educacional brasileiro.
Conforme os dados de 2026, há 13.395 alunos matriculados em cursos de japonês nas diversas etapas da educação, desde a infância até o ensino superior. Esse número é superior ao registrado em 2017, que era de 11.334 estudantes, resultando em um aumento de 18,2% na quantidade de aprendizes do idioma.
Pela primeira vez, a pesquisa apresenta informações separadas sobre as instituições que oferecem aulas de língua e cultura japonesas para crianças na educação infantil. Atualmente, 24 escolas particulares em todo o Brasil atendem essa demanda, reunindo 1.867 alunos.
A rede pública amplia as oportunidades para o aprendizado do japonês
Entre as transformações destacadas pela Fundação Japão está o aumento do número de escolas que disponibilizam o idioma através dos Centros de Estudos de Línguas (CEL), uma iniciativa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Esse crescimento também abrange a ampliação do corpo docente nessa área.
Além das iniciativas em São Paulo, outras secretarias estaduais têm promovido cursos extracurriculares ou obrigatórios de língua japonesa nas escolas públicas, ampliando ainda mais a oferta do idioma no país.
Mayumi Yoshikawa, professora efetiva de língua japonesa e coordenadora da pesquisa, enfatiza que a expansão nas escolas públicas desempenha um papel crucial ao proporcionar acesso ao idioma para estudantes que normalmente não teriam condições financeiras para pagar por aulas particulares. “Essa abertura permite que alunos da rede pública tenham acesso a oportunidades que podem facilitar seu caminho tanto no Brasil quanto internacionalmente. Aprender japonês pode ajudar esses jovens a conhecer melhor o Japão e sua cultura, além de fomentar uma mentalidade mais receptiva a outras culturas”, destaca.
Mudanças no perfil dos estudantes refletem um novo interesse pelo idioma
O ensino da língua japonesa no Brasil tem raízes históricas ligadas principalmente aos descendentes de japoneses, com aulas oferecidas por associações nipo-brasileiras ou em domicílios de professores. No entanto, os dados mais recentes indicam uma alteração nesse panorama.
A “Pesquisa de Dados sobre Instituições de Ensino de Língua Japonesa no Mundo em 2024”, realizada pela Japan Foundation, revelou que existem 26.708 estudantes aprendendo japonês no Brasil. Ao comparar esse número com as informações coletadas em 2026 sobre os 13.395 alunos nas diversas instituições educacionais, percebe-se que cerca de 50,1% deles estão matriculados em escolas regulares ou universidades, enquanto os restantes 49,9% frequentam associações nipo-brasileiras ou cursos particulares.
Outro dado relevante é o perfil dos estudantes: aproximadamente 75% dos alunos do ensino regular e superior não possuem ascendência japonesa. Essa tendência já havia sido observada em 2017 e se mantém nas estatísticas atuais.
Mayumi Yoshikawa comenta que esses resultados demonstram um crescente interesse por parte da população geral pela língua e cultura japonesas além da comunidade descendente. “Acredito que a aceitação da língua e cultura japonesas esteja se expandindo entre aqueles sem vínculos ancestrais nipônicos. O fascínio por mangás e animes também tem sido um forte atrativo nos cursos. Nas universidades, muitos buscam estudar no Japão como uma motivação significativa para aprender o idioma”, afirma.
A pesquisa realizada pela Fundação Japão fornece um retrato atualizado sobre a presença do ensino da língua japonesa nas etapas educacionais brasileiras, permitindo analisar a evolução do número de alunos e professores além das transformações na oferta dos cursos pelo país. Esses dados são essenciais para compreender os avanços do ensino do japonês e as novas oportunidades que surgem no contexto educacional brasileiro.
Por Iara Filardi
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