Diabetes na Gravidez: Entenda os Riscos e as Consequências da Condição

O período de gestação provoca diversas mudanças no corpo da mulher, exigindo uma vigilância especial em relação a indicadores de saúde, como os níveis de glicose no sangue. Em 26 de junho, durante o Dia Nacional do Diabetes, a atenção voltada para o diabetes gestacional se torna ainda mais relevante.

A Federação Internacional de Diabetes revela que a hiperglicemia na gravidez afeta cerca de 20% das mulheres globalmente, com os casos de diabetes mellitus gestacional (DMG) sendo predominantes. Essa condição surge durante a gestação e, se não for adequadamente identificada e controlada, pode acarretar sérios riscos tanto para a mãe quanto para o bebê.

Fatores que elevam o risco de diabetes gestacional

Dentre as condições que contribuem para um aumento na probabilidade do desenvolvimento do diabetes gestacional está a SOMP (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina), anteriormente designada como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Uma pesquisa publicada no Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada, que analisou mais de 1 milhão de nascimentos ao longo de uma década, indicou que mulheres diagnosticadas com SOMP têm um risco 5% maior de desenvolver diabetes gestacional. Os pesquisadores identificaram que o excesso de peso é o principal fator associado a esse incremento, ressaltando a importância da manutenção do peso saudável antes da gestação.

Rodrigo Ruano, obstetra no Hospital Samaritano Paulista, parte da Rede Américas, aponta que outros fatores também podem aumentar significativamente as chances de desenvolver essa condição. Ele ressalta: “Mulheres que já apresentavam sobrepeso ou obesidade antes da gravidez devem estar atentas durante todo o acompanhamento pré-natal. É crucial monitorar o ganho de peso ao longo da gestação. Além disso, gestantes mais velhas, aquelas com histórico familiar de diabetes ou que tiveram diabetes gestacional em gestações passadas estão sob maior risco.”

Impactos da doença na mãe e no bebê

A falta de controle dos níveis glicêmicos pode ter consequências graves para ambos. No caso da mãe, os riscos incluem hipertensão arterial, levando à pré-eclâmpsia, infecções urinárias e vaginais, além do aumento das chances de parto prematuro e necessidade de cesariana devido ao crescimento excessivo do feto. “Futuramente, essas mulheres apresentam maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 e também podem enfrentar recorrência do diabetes gestacional em gestações subsequentes”, explica o médico.

Os efeitos negativos para a criança também são significativos. A elevação dos níveis de açúcar no sangue pode resultar em macrossomia fetal. Após o nascimento, o recém-nascido pode enfrentar hipoglicemia, dificuldades respiratórias e icterícia. “Além disso, há uma tendência elevada à obesidade e problemas cardíacos na vida adulta”, acrescenta Rodrigo Ruano.

Planejamento da gravidez como forma de prevenção

A notícia encorajadora é que a adoção de hábitos saudáveis é fundamental para reduzir o risco do desenvolvimento do diabetes gestacional. Manter um peso adequado, seguir uma dieta equilibrada e praticar exercícios regulares favorecem um melhor processamento da insulina e podem até ajudar na regularização do ciclo menstrual antes da concepção.

Paloma Hess, endocrinologista no Hospital Pró-Cardíaco da Rede Américas, enfatiza a importância dos cuidados prévios à gravidez. “As estratégias aplicadas para controlar o diabetes gestacional — como dieta adequada e monitoramento do peso — funcionam como medidas preventivas quando adotadas antes da gestação, possibilitando uma gravidez mais saudável”, esclarece.

A importância do diagnóstico e acompanhamento pré-natal para mitigação dos riscos

O diabetes gestacional é muitas vezes assintomático; por isso os exames realizados durante o pré-natal são essenciais para seu diagnóstico. No início da gravidez, é comum que o médico solicite um exame de glicemia em jejum. Se os resultados forem satisfatórios, entre a 24ª e 28ª semana ocorre o teste conhecido como “curva glicêmica” para avaliar como o organismo lida com açúcar.

Caso os resultados indiquem positivo para diabetes gestacional, não há motivo para desespero: na maioria das situações essa condição pode ser gerida através de uma dieta específica e exercícios físicos leves. Se necessário, pode-se optar pela administração de insulina como uma alternativa segura para proteger a saúde do bebê.

“A saúde tanto da mãe quanto do bebê requer um olhar cuidadoso e multidisciplinar. Quando obstetras, endocrinologistas e nutricionistas colaboram em conjunto, o manejo da glicemia se torna mais eficiente e seguro durante esse período crítico”, conclui Paloma Hess.

Por Monique Dutra

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