Na tarde desta segunda-feira (15), um desentendimento entre motoristas e monitores do transporte escolar em Mogi das Cruzes gerou complicações no serviço prestado aos alunos da rede municipal. A Prefeitura alega que parte dos profissionais decidiu suspender o trabalho sem aviso prévio, enquanto os trabalhadores afirmam que apenas respeitaram sua carga horária normal, optando por não realizar horas extras que, segundo eles, são frequentemente necessárias para atender à demanda.
Em comunicado oficial, a administração municipal revelou que ficou surpresa com a decisão de 32 motoristas e 23 monitores de interromper o transporte para alunos de 45 escolas. Para resolver a situação, uma força-tarefa foi criada envolvendo a Secretaria Municipal de Educação e outros órgãos, com o objetivo de assegurar que todas as crianças retornassem para casa em segurança.
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Na manhã da mesma segunda-feira, houve uma reunião entre representantes dos motoristas, dos monitores e do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública Municipal de Mogi das Cruzes (Sintap) com membros da Casa Civil. Este encontro durou aproximadamente duas horas e resultou na marcação de uma nova rodada de negociações para o dia 29 de junho.
A administração municipal enfatizou que a “interrupção do serviço à tarde ocorreu de forma abrupta e sem qualquer aviso prévio”. O executivo também declarou que não “aceitará a suspensão de serviços essenciais como forma de pressão”, reafirmando seu compromisso com o diálogo e a busca por soluções equilibradas.
Por outro lado, os trabalhadores contestaram essa narrativa. Eles destacaram que não houve paralisação do serviço; ao contrário, cumpriram rigorosamente suas horas contratuais semanais de 40 horas. Os motoristas alegam que deixaram de fazer horas extras e que essa situação expôs problemas estruturais e operacionais persistentes há anos.
O motorista Carlos Ricardo Rossi, de 55 anos, mencionou que as dificuldades enfrentadas pela categoria já são antigas.
“Esse problema vem desde 2014, em gestões anteriores. Naquela época nem tínhamos garagem. Os veículos eram deixados no Tiro de Guerra e depois fomos transferidos para um local sem infraestrutura alguma”, relatou.
Rossi também ressaltou que as reivindicações por melhorias são antigas e citou a falta de benefícios como um dos principais pontos críticos levantados pelos trabalhadores.
“Não temos vale-refeição. Muitas vezes almoçamos nas escolas e passamos por situações constrangedoras. Em alguns lugares podemos comer se sobrar comida, mas entendemos que a refeição é destinada às crianças”, explicou.
Carlos criticou ainda a ausência de outros benefícios adicionais. “Os salários são baixos e não temos qualquer tipo de bônus ou adicionais. Antes era comum compensar isso com horas extras, mas agora nem isso garante qualidade de vida”, disse.
Ele destacou que os profissionais mantiveram suas atividades normais durante o dia e apenas deixaram de realizar horas extras.
“Ninguém parou. Trabalhamos dentro das oito horas diárias estipuladas. O que não fizemos foram as horas extras”, afirmou.
Além disso, ele questionou a falta de benefícios condizentes com a natureza do trabalho. “Transportamos vidas diariamente e temos uma grande responsabilidade nisso. No entanto, não recebemos insalubridade ou periculosidade”, acrescentou.
Reivindicações apresentadas
As solicitações da categoria foram discutidas na reunião realizada na manhã desta segunda-feira entre representantes dos trabalhadores, do sindicato e da Prefeitura.
Conforme registrado na ata do encontro, os profissionais pediram a introdução do vale-refeição, reajustes salariais adequados, melhorias nas condições laborais e aumento das capacitações oferecidas aos servidores. Além disso, solicitaram mais contratações para diminuir a necessidade frequente de horas extras.
Os representantes também relataram os desafios enfrentados diariamente no trabalho e defenderam maior valorização dos motoristas e monitores responsáveis pelo transporte dos estudantes municipais, incluindo aqueles com deficiência.
Outro aspecto debatido foi a elevada quantidade de horas extras executadas pela categoria. Segundo os trabalhadores presentes na reunião, o número atual é insuficiente para atender toda a demanda sem sobrecarga adicional frequente.
Ainda conforme mencionado na ata do encontro, representantes sindicais trouxeram à tona observações feitas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) desde 2022 sobre o excesso dessas horas registradas no setor. A categoria acredita que novas contratações poderiam ajudar a solucionar este problema.
Ao final da reunião, a Prefeitura comprometeu-se a avaliar as reivindicações apresentadas e agendou um novo encontro com os trabalhadores para o próximo dia 29 de junho.
Sindicato defende valorização
O presidente do Sintap, Paulo Ricardo, destacou que os profissionais envolvidos no transporte escolar desempenham uma função crucial merecedora de reconhecimento adequado. “Eles transportam vidas diariamente. É uma tarefa repleta de responsabilidades que demanda valorização”, afirmou ele.
Paulo informou ainda que tentaram iniciar uma mesa redonda com a Prefeitura na última sexta-feira (12), mas foram informados sobre a falta de disponibilidade naquela ocasião. A reunião foi realizada somente nesta segunda-feira.
O dirigente sindical mencionou que a administração municipal se comprometeu em estudar as demandas apresentadas durante o encontro e considerar experiências adotadas em outras cidades para verificar a viabilidade da implementação dessas medidas em Mogi das Cruzes.
Paulo também apontou que o modelo atual utilizado no transporte escolar depende excessivamente das horas extras realizadas pelos funcionários.
“Atualmente acumulamos muitas horas extras. A Prefeitura paga metade desse tempo extra; o restante fica acumulado em um banco de horas. Contudo há um limite para isso e essa situação tornou-se insustentável”, destacou ele.
O presidente do sindicato recordou ainda que anteriormente os trabalhadores recebiam alimentação durante suas jornadas laborais; benefício esse que deixou de ser fornecido recentemente.
“Os profissionais estão lutando há muito tempo por seus direitos. O desejo deles é ser valorizado adequadamente e ter condições dignas para exercer uma função tão essencial”, concluiu Paulo Ricardo.
- Esta matéria foi apurada e escrita em conjunto pela repórter Ana Lívia Terribille e pelo estagiário Daniel Angel.
O post Divergências entre Prefeitura e motoristas marcam situação do transporte escolar em Mogi apareceu primeiro em O Diário de Mogi.






