Grupo também executou outro líder, por ter colaborado na absolvição do homem assassinado em 2024, no Aeroporto de Guarulhos
A apuração sobre o homicídio de Vinícius Gritzbach, aliada às informações que ele repassou em sua delação premiada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), trouxe à tona dados sobre a corrupção de policiais e a forma como o crime organizado se infiltrou em órgãos do governo, segundo divulgou o portal Metrópoles.
Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) identificou episódios até então desconhecidos, incluindo a absolvição de Gritzbach em um “tribunal do crime”. Até então, não se sabia quem o havia declarado “inocente” diante das mortes de Anselmo Bechelli Santa Fausta (Cara Preta) e Antônio Corona Neto (Sem Sangue) — ambos associados ao PCC.
Conforme o relato, Gritzbach teria cometido um desvio de dinheiro pertencente a Cara Preta e, por essa razão, teria ordenado a morte do criminoso — algo que ele sempre negou. Em janeiro de 2022, Gritzbach foi sequestrado e levado a julgamento num “tribunal do crime”, onde foi declarado “absolvido” por Claudio Marcos de Almeida (Django) e Rafael Maeda (Japa).
A PF concluiu que, ao livrarem Gritzbach, esses líderes selaram o próprio destino. Em 2023, ambos foram assassinados pela organização, justamente por terem inocentado o delator no julgamento interno do PCC.
Mortes em série no PCC
Pouco depois da absolvição de Gritzbach, ocorrida em janeiro de 2022, Django foi encontrado morto, enforcado, no dia 23 do mesmo mês. A apuração desse homicídio foi arquivada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), conduzido pelos delegados Fábio Baena e Eduardo Monteiro.
Logo na sequência, Japa surgiu sem vida dentro de um automóvel no bairro Tatuapé, em São Paulo. Isso aconteceu depois de ele prestar depoimento ao DHPP sobre a morte de Cara Preta. Embora inicialmente o óbito tenha sido tido como suicídio, exames posteriores mostraram incoerências: a arma achada com Japa não havia sido usada e a posição do tiro contrariava a versão de suicídio.
Policiais sob investigação
Em fevereiro de 2022, após o “tribunal do crime” absolvê-lo, Gritzbach foi detido pelo DHPP. Alguns policiais envolvidos na prisão — como Fábio Baena, Eduardo Monteiro e Marcelo Marques de Souza (Bombom) — posteriormente acabaram presos, acusados de manter ligações com o PCC.
Gritzbach foi assassinado em novembro de 2024, na área de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos. Entre as 12 pessoas acusadas de envolvimento no caso, oito são policiais.